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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

(?)

  tenho uma Professora que diz que pra aprender temos que saber fazer as perguntas certas. e o P maiúsculo alí não foi colocado por acaso (de tão gigante, essa Professorinha de um metro e meio se tornou um voz constante na minha consciência). penso que concordo: o verdadeiro conhecimento - aquele que não é só bonitinho pra pendurar na parede, mas que a gente constrói - só pode se formar a partir uma boa coleção de indagações. e mais: essa Professora, pasmem, de fato escuta as perguntas que seus alunos lhe fazem. e reflete antes de responder (um verdadeiro fenômeno na academia). e responde, muitas vezes com outra pergunta, como não poderia deixar de ser. 
  mas esse papo dela, percebi, significou para mim mais do que um gênesis intelectual. é meio que o começo de tudo, sabe como?

No princípio criou D'us o ponto de interrogação (agora, meus filhos, façam dele o que quiserem).

 e aí já ouço uma penca de sujeitos práticos e bem resolvidos, tão fálicos como um ponto de exclamação, dizendo que isso tudo é uma masturbação mental sem sentido e sem fim. ou pós-modernismos relativistas alternativos. talvez eles tenham razão.
  a bem da verdade, deixo eles terem toda a razão. aliás, fiquem com a verdade, esse infinito dom de iludir. ela é toda sua. prefiro não saber e seguir matutando. já disse uma vez uma moça muito sábia: se existe um mal absoluto ele está justamente nas mãos dos que defendem um bem absoluto.  o meu bem? não é absoluto. nem sei se é um bem. saber se perguntar, creio eu, é um mal inenarrável. uma coisa de querer botar as tripas pra fora pra dar uma olhada. só pra ver que lá dentro estão guardadas mais e mais interrogações. 


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Reclamo porque amo.

  Reclamo porque se não o fizesse não seria professora. Reclamo dos salários, reclamo das condições de trabalho. Reclamo das políticas públicas, do governo do estado, da prefeitura e mais ainda de outras prefeituras que vejo por aí. Reclamo da postura dos pais, que não colocam limites. Reclamo dos adolescente, benditos. Reclamo até das crianças, de quando em vez. Às vezes reclamo dos colegas - ainda que ultimamente tão pouco. Vivo reclamando por melhores condições e um reconhecimento verdadeiro para aqueles que cumprem o malfadado ofício. Porque ser professor é ingrato. É querer mudar o homem, e querer mudar o homem é querer mudar o mundo (pode rir da minha cara agora, não me importo). E querer tudo isso, no mundo/país em que vivemos, é estar destinado a sofrer. Porque ensinar é aprender e aprender é sofrer. Porque não conseguir ensinar é aprender e sofrer ainda mais. E não conseguir faz parte da vida de quem lida com gente. Com gente pequena, então, há que se carregar mentalmente um catálogo de "planos B". Há que se virar em três. Há que se ensinar algo a alguém e ensinar esse alguém a não se tornar um algo - nem fazer isso com o outro. E para isso tudo, só tendo muita energia. Só tendo muita vontade. Só tendo muito amor. 
  E me perdoem se parece "pieguismo pedagógico", mas falo de uma amor maduro. Um amor sem ingenuidades. Um amor carregado do mais forte respeito pela infância e pelo ser humano que ela carrega. Um amor que te faz, mesmo cansado e maltrapilho, soltar os sorrisos e risadas mais sinceros no seu local de trabalho. Um amor que te faz sentir uma felicidade autêntica quando você vê um aluno avançando a partir do andaime que você ajudou a construir. Um amor que te liga as "tuas" crianças, ainda que elas passem de ano e você fique. Um amor que te faz continuar. Mesmo que reclame. Aliás, um amor que te faz reclamar, justamente por saber porque aquilo tudo é tão especial. Justamente porque, mesmo sendo tão difícil, você não largaria o osso por nada. 

  Eu reclamo, porque se não o fizesse não seria professora. Mas amo, porque se não o fizesse não seria quem sou.